Ouço a voz que de dentro sai
E não a compreendo.
Procuro mover os pensamentos
Na direção do entendimento
E não consigo
O vazio tomou conta da memória
O vento passa célere pela cabeça
Move-se como dono
Daquilo que já foi meu.
quarta-feira, 25 de junho de 2008
sexta-feira, 30 de maio de 2008
O eterno contínuo.
Mesmo se...
o mar secar
o céu acabar
a paz retornar e
os dias virarem noites
eu estarei aqui
a te esperar e
a te desejar.
Eterno,
Contínuo.
Só teu.
o mar secar
o céu acabar
a paz retornar e
os dias virarem noites
eu estarei aqui
a te esperar e
a te desejar.
Eterno,
Contínuo.
Só teu.
quarta-feira, 30 de abril de 2008
Os seios de Matilda.
Situação inusitada. De ocorrência incomum e, portanto totalmente indispensável a sua divulgação. Não cobrem deste repórter detalhes esclarecedores porque há anos não cuido dos noticiários. Dedico-me a um jornalismo social, cuja importância repousa tão somente no fato e não em detalhes. Portanto não vou descrever o local, o tempo e nem mesmo o nome real das personagens. Basta dizer que Matilda é o centro da narrativa.
Afinal, nem mesmo ela poderá contestar a estória, pois está morta. Também não poderá esclarecer, detalhadamente, aos outros repórteres. Com isso, nivelamos todos, os detalhistas e eu. Por mais que mexam e remexam, não encontrarão nada melhor.
A narrativa começa, inclusive, depois da morte da protagonista e permanece sem solução. Bem, Matilda morreu. Era uma morena bonita com seios postiços. Melhor seria descrevê-los como implante de mamas de 350 mililitros, mas como sou antigo vou me referir como seios postiços. Era separada do marido e vivia amasiada com um segundo homem. Bem mais moço que ela.
A morte precoce impediu a morena de pagar pelo tal implante. Os seios postiços não eram dela. Estavam nela. Mas não lhe pertenciam. Foi o que a justiça determinou. Ganho de causa para o implantador de seios. Na sentença final apareceu uma forma deles permanecerem com ela – alguém pagar por eles. Caso contrário, eles seriam retirados antes do enterro. Afinal o corpo fora embalsamado até a finalização do processo, justamente por isso.
O impasse está criado. Para ficar com a falecida, um dos seus amados, passados ou presente terá de dispor de uma quantia substancial, só para saldar a dívida. O ex-marido já afirmou que se ele pagar vai querer os tais postiços. Não vai deixá-los no lugar. Aonde vai por nem sei. Do amante infantil nem manifestação. E mesmo não teria condições. Não tem onde cair morto. Resta agora alguma cadeia de televisão fazer uma grande campanha pelos seios da Matilda. Ou talvez uma corrente na internet. Vamos ver.
Afinal, nem mesmo ela poderá contestar a estória, pois está morta. Também não poderá esclarecer, detalhadamente, aos outros repórteres. Com isso, nivelamos todos, os detalhistas e eu. Por mais que mexam e remexam, não encontrarão nada melhor.
A narrativa começa, inclusive, depois da morte da protagonista e permanece sem solução. Bem, Matilda morreu. Era uma morena bonita com seios postiços. Melhor seria descrevê-los como implante de mamas de 350 mililitros, mas como sou antigo vou me referir como seios postiços. Era separada do marido e vivia amasiada com um segundo homem. Bem mais moço que ela.
A morte precoce impediu a morena de pagar pelo tal implante. Os seios postiços não eram dela. Estavam nela. Mas não lhe pertenciam. Foi o que a justiça determinou. Ganho de causa para o implantador de seios. Na sentença final apareceu uma forma deles permanecerem com ela – alguém pagar por eles. Caso contrário, eles seriam retirados antes do enterro. Afinal o corpo fora embalsamado até a finalização do processo, justamente por isso.
O impasse está criado. Para ficar com a falecida, um dos seus amados, passados ou presente terá de dispor de uma quantia substancial, só para saldar a dívida. O ex-marido já afirmou que se ele pagar vai querer os tais postiços. Não vai deixá-los no lugar. Aonde vai por nem sei. Do amante infantil nem manifestação. E mesmo não teria condições. Não tem onde cair morto. Resta agora alguma cadeia de televisão fazer uma grande campanha pelos seios da Matilda. Ou talvez uma corrente na internet. Vamos ver.
quarta-feira, 16 de abril de 2008
No fundo da memória.
No fundo da memória busco um sentido
para o esquecimento.
Junto fatos que já não formam uma vida.
Preencho os fragmentos, pleno de lacunas,
Com vidas que já vivi.
E delas faço uma
bela salada.
Saborosa.
para o esquecimento.
Junto fatos que já não formam uma vida.
Preencho os fragmentos, pleno de lacunas,
Com vidas que já vivi.
E delas faço uma
bela salada.
Saborosa.
domingo, 30 de março de 2008
A dona de casa e o paraíso.
Mulher é mulher. Desde Eva até a última, nascida agora, as mulheres tem um comportamento caseiro. Sim, apesar de não estar descrito com detalhes, na Bíblia, Eva deveria ser a guardiã do paraíso. A responsável pela escolha dos suprimentos e manutenção do funcionamento daquele lar esplendoroso. Apesar de não haver trabalho com o suor do rosto, ainda, Adão deveria se ocupar com outros afazeres.
Tudo era perfeito, por quê...
Eva providenciava tudo.
A dona de casa perfeita?
No quesito cuidado com as roupas da família não havia muito a desempenhar. O Senhor os havia criado nus e eles não se envergonhavam. E com isso, ela não se cansava visto que não havia roupas sujas para tirar do chão e botar no cesto, lavar, passar e guardar nas gavetas da forma com que as mulheres modernas determinam que os maridos gostem.
Quanto à alimentação – vamos convir que não havia muita sofisticação, mas era de uma facilidade ímpar. Podiam comer o que quisessem das árvores do jardim sem ter de comprar, lavar, cozinhar, servir ou mesmo arrumar a bagunça depois. Existia apenas um fruto proibido e, justamente este foi a perdição das mulheres. A desobediência ao Senhor determinou a expulsão do paraíso e a grande maldição - a obrigação de cozinhar para o marido. Sem contar a praga de incessantemente ter de peregrinar de blog em blog em busca de novidades para a alimentação do novo senhor.
Finalmente, a criação dos filhos não se poderia dizer que foi um sucesso. Por ter mimado demais Caim, o primogênito, deu no que deu. O ciúme do outro irmão foi maior do que a boa educação dada em casa. Se é que ela existiu.
Ainda bem que o castigo de Caim foi só habitar a terra de Node, longe da sua mãe.
Vocês conseguem imaginar Eva como sogra?
Ninguém merece uma sogra primordial.
Algo assim como uma sogra tronco, capaz de se transformar em todas as sogras do mundo.
Teria sido muito castigo demais, para a pobre mulher do Caim.
Tudo era perfeito, por quê...
Eva providenciava tudo.
A dona de casa perfeita?
No quesito cuidado com as roupas da família não havia muito a desempenhar. O Senhor os havia criado nus e eles não se envergonhavam. E com isso, ela não se cansava visto que não havia roupas sujas para tirar do chão e botar no cesto, lavar, passar e guardar nas gavetas da forma com que as mulheres modernas determinam que os maridos gostem.
Quanto à alimentação – vamos convir que não havia muita sofisticação, mas era de uma facilidade ímpar. Podiam comer o que quisessem das árvores do jardim sem ter de comprar, lavar, cozinhar, servir ou mesmo arrumar a bagunça depois. Existia apenas um fruto proibido e, justamente este foi a perdição das mulheres. A desobediência ao Senhor determinou a expulsão do paraíso e a grande maldição - a obrigação de cozinhar para o marido. Sem contar a praga de incessantemente ter de peregrinar de blog em blog em busca de novidades para a alimentação do novo senhor.
Finalmente, a criação dos filhos não se poderia dizer que foi um sucesso. Por ter mimado demais Caim, o primogênito, deu no que deu. O ciúme do outro irmão foi maior do que a boa educação dada em casa. Se é que ela existiu.
Ainda bem que o castigo de Caim foi só habitar a terra de Node, longe da sua mãe.
Vocês conseguem imaginar Eva como sogra?
Ninguém merece uma sogra primordial.
Algo assim como uma sogra tronco, capaz de se transformar em todas as sogras do mundo.
Teria sido muito castigo demais, para a pobre mulher do Caim.
sexta-feira, 28 de março de 2008
Devaneios.
apago letras mortas,
de palavras moribundas
numa lápide funesta.
nas sombras escondidas
sinto veias que refluem
um sangue que não é meu.
olho o abismo denso
que separa o peito vazio
daquilo que não vivemos.
sopro uma bola
de goma de mascar
até o limite do tolerável.
E explodo com ela.
de palavras moribundas
numa lápide funesta.
nas sombras escondidas
sinto veias que refluem
um sangue que não é meu.
olho o abismo denso
que separa o peito vazio
daquilo que não vivemos.
sopro uma bola
de goma de mascar
até o limite do tolerável.
E explodo com ela.
segunda-feira, 17 de março de 2008
Neuro-desencontros - 2ª parte.
A gota d’água veio sobre a forma de uma romântica pergunta, comum a diversos casais que evoluem da paixão desenfreada para o amor incipiente. Lânguidos, na cama, ELE arriscou: o amor está no coração ou na cabeça? Os amantes não eruditos escolhem a melhor forma de impressionar o ser amado e derivam por respostas melosas como – no coração o qual arrancaria do peito e te daria como prova do meu amor ou na cabeça, pois a perdi quando te encontrei. Isto os amantes não eruditos.
ELA, espantada com enunciado da questão não conseguiu nem permanecer deitada de tanta emoção. ELE havia tocado no ponto crucial da sua carreira – na linha mestra a qual queria dedicar a sua vida de pesquisadora. O que é e onde se encontra o amor? Assumindo uma postura de palestrante, ELA iniciou a decodificação da sua teoria – o amor como única manifestação cinco da percepção fernesiana. Depois das primeiras frases, ainda receosas, ELA parecia transtornada. A seqüência de explicações era entrecortada apenas pela respiração sôfrega.
ELE não acreditava no que estava presenciando. A transformação fora monstruosa. Será que cabia toda aquela pompa e circunstância para uma pergunta tão simplezinha? Ainda mais numa questão tão banal – era claro que, aquilo que chamavam de amor, nada mais era do que a quebra das conexões do putamen. O afastamento eqüitativo, baseado na desproporcionalidade empírica do giro cíngulo, permitia a remodelação instantânea da atitude afetiva. As conexões com áreas inferiores distorciam as percepções visuais, olfativas e de tato dirigindo o foco, exclusivamente, para a pessoa amada. Este processo não modificava totalmente a consciência dos elementos, mas diminuía a sensação causada por ela. Para os amantes, as outras pessoas não passavam a ser, propriamente, feias apenas deixavam de ser desejadas como objeto. Os desejos passavam a ser dirigidos para qualidades ou mesmo para os defeitos da pessoa amada. Um bloqueio seletivo de vias. Simples, assim.
Desta vez o embate prometia. Não havia nenhum ponto de concordância entre eles. Não nesta questão. A questão da sede do amor suplantara o próprio.
ELA, espantada com enunciado da questão não conseguiu nem permanecer deitada de tanta emoção. ELE havia tocado no ponto crucial da sua carreira – na linha mestra a qual queria dedicar a sua vida de pesquisadora. O que é e onde se encontra o amor? Assumindo uma postura de palestrante, ELA iniciou a decodificação da sua teoria – o amor como única manifestação cinco da percepção fernesiana. Depois das primeiras frases, ainda receosas, ELA parecia transtornada. A seqüência de explicações era entrecortada apenas pela respiração sôfrega.
ELE não acreditava no que estava presenciando. A transformação fora monstruosa. Será que cabia toda aquela pompa e circunstância para uma pergunta tão simplezinha? Ainda mais numa questão tão banal – era claro que, aquilo que chamavam de amor, nada mais era do que a quebra das conexões do putamen. O afastamento eqüitativo, baseado na desproporcionalidade empírica do giro cíngulo, permitia a remodelação instantânea da atitude afetiva. As conexões com áreas inferiores distorciam as percepções visuais, olfativas e de tato dirigindo o foco, exclusivamente, para a pessoa amada. Este processo não modificava totalmente a consciência dos elementos, mas diminuía a sensação causada por ela. Para os amantes, as outras pessoas não passavam a ser, propriamente, feias apenas deixavam de ser desejadas como objeto. Os desejos passavam a ser dirigidos para qualidades ou mesmo para os defeitos da pessoa amada. Um bloqueio seletivo de vias. Simples, assim.
Desta vez o embate prometia. Não havia nenhum ponto de concordância entre eles. Não nesta questão. A questão da sede do amor suplantara o próprio.
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